A preocupação de melhorar a concepção, implementação e monitorização da estratégia conduziu à adopção de uma ferramenta de gestão – o balanced scorecard (BSC) – que traduz as grandes linhas de orientação em objectivos estratégicos organizados em perspectivas. É um instrumento que estimula a comunicação, o consenso, a motivação, o compromisso e o alinhamento estratégico das iniciativas operacionais.
O BSC avalia a implementação da estratégia monitorizando informação condensada no painel de bordo integral dos indicadores críticos. Contempla informação financeira, que relata a evolução dos activos tangíveis (os activos corpóreos), mas abre também uma janela para o valor criado por activos intangíveis, permitindo medir o desempenho da empresa de uma forma mais integrada.
Num primeiro passo, elaborou-se um documento orientador sobre o BSC, para divulgação a todas as divisões, com um breve enquadramento do tema, realçando a sua importância como ferramenta de gestão estratégica e apresentando as suas perspectivas: umas tradicionais - financeira, processos internos e aprendizagem e desenvolvimento – e outras específicas, decorrentes da actividade de transporte de energia eléctrica e da missão e visão – a perspectiva regulatória e do utilizador final e a perspectiva ambiental e social, conforme definidas na Figura 1

Figura 1 - As perspectivas do balanced scorecard
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A perspectiva financeira traduz a preocupação com o desempenho financeiro, na medida em que monitoriza variáveis relevantes, como por exemplo, a rendibilidade dos capitais investidos, consequência do esforço de gestão dos activos. A dispersão do capital em bolsa, no futuro próximo, e a cotação das acções vem reforçar o interesse e necessidade de identificar e acompanhar a criação de valor para os seus accionistas. A perspectiva clientes, embora tradicional, não assume aqui essa designação, havendo antes duas outras perspectivas: regulatória e do utilizador final, e ambiental e social. A perspectiva regulatória e do utilizador final foi considerada fundamental, na medida em que a manutenção da concessão constitui elemento essencial da prossecução da estratégia da empresa. Por necessidade de adequação da actividade às obrigações de serviço público e ao ambiente regulatório (no cumprimento de legislação e regulamentos, quer de natureza técnica, mas também nas contas das actividades reguladas), a REN preocupa-se em operar com níveis elevados de qualidade de serviço e de satisfação do utilizador final, como empresa socialmente responsável. A perspectiva ambiental e social evidencia o empenho da empresa em contribuir para a construção de uma economia global sustentável e uma forte sensibilidade em matérias como a preservação do ambiente, a segurança e o desenvolvimento social. A perspectiva processos internos acompanha a vertente mais operacional, tendo sido considerados como objectivos estratégicos a qualidade, a eficiência, a execução de investimentos, a inovação e a segurança. A perspectiva de aprendizagem e desenvolvimento reporta a importância do capital humano e dos intangíveis organizacionais na criação de valor na organização. Assim, o mapa estratégico resultante foi o representado na Figura 2.

Figura 2 - Mapa estratégico
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Em Julho de 2006 elaborou-se a primeira edição do relatório trimestral do BSC com os resultados dos indicadores. Os indicadores estão suportados por fichas com informação pormenorizada, designadamente planos de acção para atingir as metas definidas. Os desvios dos resultados em relação às metas são sinalizados por semáforos e, face a resultados desfavoráveis, é necessário o reporte de informação adicional. A definição e implementação atempada de acções correctivas permite o alinhamento com a estratégia da empresa.
O BSC tem sido uma ferramenta de apoio à decisão, preconizando-se que venha a ter também um papel de relevo numa ligação mais estreita ao modelo de gestão de processos bem como ao diálogo com as partes interessadas, designadamente no aprofundamento das relações que se mostram na Tabela 1. Desenvolvimentos adicionais do BSC incluem ainda a extensão à área de negócios do transporte de gás natural e o desenho do modelo de BSC corporativo envolvendo, portanto, todas as áreas de negócio.

Perspectivas
PF – perspectiva financeira
PRUF - perspectiva regulatória e do utilizador final
PAS - perspectiva ambiental e social
PPI - perspectiva processos internos
PAD - perspectiva de aprendizagem e desenvolvimento
Tabela 1 - Relação dos objectivos estratégicos com os grupos de interesse
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