A REN – Redes Energéticas Nacionais, a AguiarFloresta e o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) criaram um projeto de gestão do combustível através da silvopastorícia com vacas maronesas, nos terrenos afetos à Subestação de Vila Pouca de Aguiar, com o objetivo de contribuir para a prevenção de incêndios rurais, aumento da resiliência da referida instalação e gestão sustentável do território.
A iniciativa assenta na criação de uma Brigada Florestal Animal, composta por cerca de 40 vacas maronesas — raça autóctone das Serras do Marão, Alvão e Padrela — que asseguram a gestão da vegetação numa área de cerca de 6,5 hectares. Numa fase inicial, prevê-se que os animais consumam aproximadamente 33 toneladas de vegetação por ano, contribuindo para a redução da carga combustível.
A AguiarFloresta é responsável pela implementação e gestão operacional do modelo de pastoreio extensivo, bem como pela articulação com o território. O Instituto Politécnico de Bragança assegura o acompanhamento científico, através da monitorização dos impactos ambientais e da avaliação da eficácia deste sistema de gestão de combustível. O projeto prevê ainda a realização de estudos comparativos e ações de formação dirigidas a criadores e comunidades locais.
Segundo Mónica Conceição, Diretora de Operações da REN, este projeto demonstra como a REN integra soluções de base natural na gestão das suas infraestruturas, trabalhando em parceria com as entidades do território e com a academia para promover uma prevenção estrutural de incêndios rurais e reforçar a resiliência das nossas infraestruturas.
Para Duarte Marques, responsável da AguiarFloresta, “a silvopastorícia com vacas maronesas é uma solução eficaz e contínua de gestão do território, que valoriza as raças autóctones e o conhecimento local. Este projeto mostra que é possível conciliar prevenção de incêndios, conservação e desenvolvimento rural através de parcerias próximas do território”.
Já Carlos Aguiar, do Instituto Politécnico de Bragança, destaca que “o acompanhamento científico deste projeto permite avaliar, de forma rigorosa, os seus impactos ambientais e a eficácia do modelo de gestão de combustível, contribuindo para a produção de conhecimento aplicado e para o desenvolvimento de soluções com potencial de replicação”.
No âmbito do projeto, foram introduzidas espécies vegetais mais adequadas ao pastoreio, melhorando a qualidade da pastagem e reforçando a sua função na prevenção de incêndios. Foram também instaladas infraestruturas de apoio, como manjedouras e bebedouros, que permitem assegurar as condições necessárias ao maneio dos animais.
Este projeto integra a estratégia da REN de valorização e promoção de soluções de base natural, na gestão do território, privilegiando iniciativas desenvolvidas em parceria com as comunidades locais e com potencial de aplicação noutros contextos.