No âmbito dos trabalhos de construção da subestação de Ponte de Lima foram realizadas intervenções arqueológicas que permitiram identificar e estudar um conjunto de estruturas arqueológicas que remontam à pré-história.
Antes do início dos trabalhos, já eram conhecidas na área quatro mamoas, mas as escavações permitiram compreender melhor a dimensão arqueológica do espaço e revelar evidências adicionais da ocupação humana.
Os trabalhos desenvolvidos em 2024, em parceria com a Archeocascais, atuaram numa área aproximada de 5000 metros2 e permitiram mostrar o que a terra protegeu nos últimos milénios. As estruturas funerárias, os diversos materiais arqueológicos, incluindo fragmentos de vasos cerâmicos e artefactos líticos, e os restos de barro utilizados no revestimento de pisos ou paredes de cabanas indicam que o sítio ostenta uma grande diversidade de estruturas e uma complexa sequência de ocupação humana. Os vestígios identificados apontam para uma cronologia que poderá abranger períodos da Idade do Bronze, entre o III milénio a.C. e meados do I milénio a.C.
As mamoas são monumentos funerários pré-históricos constituídos por pequenos montes artificiais de terra e pedra que cobrem estruturas de sepultamento, frequentemente associadas ao fenómeno megalítico da Península Ibérica. Estes túmulos, construídos há vários milhares de anos, serviam geralmente como locais de enterramento coletivo e são considerados importantes testemunhos das práticas funerárias e da organização social das comunidades pré-históricas.
Encontram-se sobretudo no Norte de Portugal e no Noroeste da Península Ibérica e estão normalmente associadas a dólmens ou câmaras funerárias megalíticas.
Todo o espólio recolhido foi devidamente catalogado e entregue ao Museu Regional D. Diogo de Sousa, em Braga, permitindo o estudo e a preservação deste património.
Estes tipos de intervenções arqueológicas realizadas no âmbito de grandes projetos de infraestrutura possibilitam não apenas salvaguardar o património cultural, mas também aprofundar o conhecimento científico sobre a história das regiões onde esses projetos se desenvolvem.
No caso de Friastelas, os trabalhos associados à construção subestação de Ponte de Lima revelaram-nos novos dados sobre a ocupação humana deste território ao longo de milénios, reforçando a importância de Ponte de Lima no contexto arqueológico do Noroeste peninsular.
Ao promover e apoiar este tipo de estudos, a REN contribui para a preservação e valorização do património histórico e cultural, assegurando que o desenvolvimento das infraestruturas energéticas é acompanhado por uma atenção permanente à proteção e ao conhecimento do território.