Em 2025, o consumo de energia elétrica abastecido a partir da rede pública atingiu 53,1 TWh, 3,2% superior ao registado no ano anterior ou 2,3% considerando a correção dos efeitos da temperatura e número de dias úteis. Trata-se do consumo anual mais elevado de sempre no sistema elétrico nacional, ultrapassando em 1,7% o anterior máximo histórico que datava de 2010 (52.2 TWh).
Em dezembro, o consumo registou um forte crescimento, de 6,9% face ao mês homólogo do ano anterior, ou 4,8% com correção dos efeitos de temperatura e dias úteis.
Em 2025 o conjunto da produção renovável totalizou 37 TWh, face a 36,7 TWh no ano anterior, passando a ser o valor mais elevado de sempre no sistema elétrico nacional e que correspondeu a 68% do consumo, em linha com os 70% verificados no ano anterior, mesmo considerando as restrições técnicas impostas sobre a produção de eletricidade para salvaguarda da segurança de abastecimento do SEN no período imediatamente após o apagão de 28 de Abril.
A impulsionar a produção renovável, refira-se o aumento de 25% na produção fotovoltaica, que mantém um ritmo de crescimento elevado, suportado pela forte expansão desta tecnologia no sistema elétrico nacional, bem como um regime particularmente favorável na produção hidroelétrica. O índice de produtibilidade hidroelétrica situou-se em 1,32, nas eólicas o índice de produtibilidade registou 1,00, em linha com o regime médio, enquanto nas solares as condições foram menos favoráveis com o índice respetivo a situar-se em 0,89. A produção hidráulica representou 27% do consumo nacional, a eólica 25%, a solar 11% e a biomassa 5%.
A produção não renovável, praticamente toda a gás natural, totalizou 7,9 TWh, 54% acima do ano anterior que tinha registado um valor particularmente baixo, representando 15% do consumo nacional. A produção a gás natural, embora continue a ser crítica e relevante para a segurança de abastecimento, tem, com exceção deste ano, baixado a sua penetração, devido à crescente disponibilidade de energia renovável e ao recurso à importação de Espanha. Este ano o saldo importador manteve-se elevado, totalizando 9,3 TWh, embora 11% inferior ao do ano anterior (10,5 TWh), mas realça-se que abasteceram 17% do consumo nacional (o ano passado a importação abasteceu 20%).
No mercado de gás natural, em 2025, o consumo situou-se em 45,0 TWh, com um crescimento de 11% face ao ano anterior, mas ficando ainda 8% abaixo do consumo registado em 2023 (49 TWh). A recuperação registada este ano deveu-se ao segmento de produção de energia elétrica que interrompeu a tendência de redução dos últimos anos, registando 13,8 TWh, com um forte crescimento de 93%, mas ainda assim 15% abaixo do valor registado em 2023 (16,3 TWh). No segmento convencional, que abrange os restantes consumidores, registou-se um consumo de 31,2 TWh, com uma contração homóloga de 6,4%, tratando-se, para este segmento do consumo mais baixo desde 2009.
O aprovisionamento do sistema nacional em 2025 manteve-se quase integralmente a partir do terminal de GNL de Sines, enquanto através da interligação com Espanha, as entradas representaram apenas cerca de 3% do consumo. O gás descarregado em Sines teve origem fundamentalmente na Nigéria e nos Estados Unidos, que representaram, respetivamente, 52% e 41% do aprovisionamento nacional.