Escavações arqueológicas em Friastelas revelam estruturas funerárias milenares

01 abril 2026

Escavações arqueológicas em Friastelas revelam estruturas funerárias milenares

No âmbito dos trabalhos de construção da subestação de Ponte de Lima foram realizadas intervenções arqueológicas que permitiram identificar e estudar um conjunto de estruturas arqueológicas que remontam à pré-história.

Antes do início dos trabalhos, já eram conhecidas na área quatro mamoas, mas as escavações permitiram compreender melhor a dimensão arqueológica do espaço e revelar evidências adicionais da ocupação humana.

Os trabalhos desenvolvidos em 2024, em parceria com a Archeocascais, atuaram numa área aproximada de 5000 metros2 e permitiram mostrar o que a terra protegeu nos últimos milénios. As estruturas funerárias, os diversos materiais arqueológicos, incluindo fragmentos de vasos cerâmicos e artefactos líticos, e os restos de barro utilizados no revestimento de pisos ou paredes de cabanas indicam que o sítio ostenta uma grande diversidade de estruturas e uma complexa sequência de ocupação humana. Os vestígios identificados apontam para uma cronologia que poderá abranger períodos da Idade do Bronze, entre o III milénio a.C. e meados do I milénio a.C.

As mamoas são monumentos funerários pré-históricos constituídos por pequenos montes artificiais de terra e pedra que cobrem estruturas de sepultamento, frequentemente associadas ao fenómeno megalítico da Península Ibérica. Estes túmulos, construídos há vários milhares de anos, serviam geralmente como locais de enterramento coletivo e são considerados importantes testemunhos das práticas funerárias e da organização social das comunidades pré-históricas.

Encontram-se sobretudo no Norte de Portugal e no Noroeste da Península Ibérica e estão normalmente associadas a dólmens ou câmaras funerárias megalíticas.

Todo o espólio recolhido foi devidamente catalogado e entregue ao Museu Regional D. Diogo de Sousa, em Braga, permitindo o estudo e a preservação deste património.

Estes tipos de intervenções arqueológicas realizadas no âmbito de grandes projetos de infraestrutura possibilitam não apenas salvaguardar o património cultural, mas também aprofundar o conhecimento científico sobre a história das regiões onde esses projetos se desenvolvem.

No caso de Friastelas, os trabalhos associados à construção subestação de Ponte de Lima revelaram-nos novos dados sobre a ocupação humana deste território ao longo de milénios, reforçando a importância de Ponte de Lima no contexto arqueológico do Noroeste peninsular.

Ao promover e apoiar este tipo de estudos, a REN contribui para a preservação e valorização do património histórico e cultural, assegurando que o desenvolvimento das infraestruturas energéticas é acompanhado por uma atenção permanente à proteção e ao conhecimento do território.



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